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2ª Parte - A História da Família Castor e de São Bom Jesus dos Castores

Atualizado: há 4 dias

Pôster dourado de São Bom Jesus na roça ao pôr do sol, homem segura imagem do santo; texto de fé e devoção.


Capítulo 15



A Festa dos Castores



Com o passar dos anos, a movimentação na Fazenda dos Castores tornou-se cada vez mais intensa.


Os visitantes continuavam chegando.


As orações continuavam acontecendo.


As refeições continuavam sendo compartilhadas.


E a fama daquele lugar espalhava-se por toda a região.


Segundo a tradição oral preservada pela família Castor, a comunidade começou a perceber que os encontros já não pertenciam apenas ao cotidiano da fazenda.


Algo maior estava surgindo.


Os moradores recebiam pessoas durante praticamente todo o ano.


Mas muitos acreditavam que deveria existir também um momento especial.


Um dia dedicado à celebração.


Um dia em que todos pudessem reunir-se para agradecer a Deus.


Um dia em que a fé, a amizade, a hospitalidade e a comunidade fossem celebradas juntas.


Foi assim que começou a nascer a ideia da Festa dos Castores.


Segundo os relatos transmitidos pelos descendentes, Francisco Soares Castor compreendeu que aquela celebração deveria possuir um significado espiritual profundo.


Não seria uma festa dedicada à sua família.


Não seria uma festa dedicada à fazenda.


Não seria uma festa para exaltar qualquer pessoa.


O centro da celebração deveria ser Jesus.


Por essa razão, buscou-se uma data que já possuía importância dentro da tradição cristã.


A escolha recaiu sobre o dia 6 de agosto que desde o século V foi instituída para toda a Igreja Católica Romana no ano de 1457.


Data tradicionalmente associada ao Senhor Bom Jesus.


A decisão pareceu natural.


A comunidade já identificava os acontecimentos da fazenda com a devoção ao Bom Jesus.


Assim, a grande celebração anual passou a ser realizada nessa data.


Segundo a memória preservada pela família Castor, os preparativos começavam muito antes da festa.


As famílias organizavam-se.


Os alimentos eram separados.


As colheitas eram planejadas.


Os animais eram preparados.


Tudo precisava estar pronto para receber os visitantes.


E eles vinham.


Vinham em grupos.


Vinham em famílias.


Vinham de diversas partes da região.


Alguns viajavam durante horas.


Outros passavam dias se preparando para participar da celebração.


À medida que se aproximavam da Fazenda dos Castores, encontravam um ambiente diferente daquele que existia nos demais dias do ano.


Havia alegria.


Havia expectativa.


Havia gratidão.


Segundo os relatos familiares, grandes quantidades de alimentos eram preparadas.


Panelas fumegavam.


Pães eram assados.


Carnes eram cozidas.


Arroz, feijão, mandioca e outros produtos da terra eram compartilhados entre todos.


A fartura não era vista como demonstração de riqueza.


Era vista como demonstração de acolhimento.


Ninguém deveria sair dali com fome.


Esse princípio tornou-se uma das marcas mais fortes da festa.


Mas a alimentação era apenas uma parte da celebração.


As orações continuavam ocupando lugar central.


Os terços eram rezados.


Os cânticos ecoavam pela comunidade.


As famílias reuniam-se para agradecer pelas bênçãos recebidas.


Muitos recordavam graças alcançadas.


Outros apresentavam novos pedidos.


A festa era, acima de tudo, um momento de encontro entre as pessoas e Deus.


Com o passar dos anos, a celebração tornou-se cada vez mais conhecida.


E foi justamente por causa dela que o nome "Festa dos Castores" começou a se espalhar pela região.


Não porque a festa pertencesse à família.


Mas porque acontecia na Fazenda dos Castores.


Porque era organizada pelos moradores daquela comunidade.


Porque nascia da hospitalidade cultivada por Francisco Soares Castor e pelas famílias que viviam em suas terras.


O nome permaneceu.


E atravessou gerações.


Mas segundo a tradição preservada pelos descendentes, o verdadeiro propósito da festa nunca foi exaltar os Castores.


O propósito era celebrar Jesus.


Celebrar a fé.


Celebrar a gratidão.


Celebrar a comunhão entre pessoas que, apesar de suas diferenças, encontravam-se unidas por uma mesma esperança.


Talvez seja por isso que a Festa dos Castores permaneceu viva durante tanto tempo.


Ela não nasceu do desejo de construir uma tradição.


Nasceu do desejo de compartilhar aquilo que a comunidade considerava uma bênção.


E, ano após ano, a celebração continuou crescendo.


Os caminhos tornavam-se mais movimentados.


Os visitantes multiplicavam-se.


A devoção fortalecia-se.


A fama da Fazenda dos Castores espalhava-se ainda mais.


Mas junto com esse crescimento surgiriam também novos desafios.


Desafios que Francisco Soares Castor jamais poderia ignorar.


Porque quanto maior se tornava a festa, maior se tornava a responsabilidade de sustentar tudo aquilo.


E seria justamente nesse período de crescimento que a Fazenda dos Castores viveria alguns de seus anos mais prósperos.




Capítulo 16



A prosperidade da Fazenda dos Castores



À medida que os anos passavam, a Fazenda dos Castores continuava a crescer.


As famílias multiplicavam-se.


As lavouras expandiam-se.


Os caminhos tornavam-se mais movimentados.


E a Festa dos Castores passava a ocupar um lugar cada vez mais importante na vida da comunidade.


Segundo a tradição oral preservada pela família Castor, aquele período ficou marcado por uma sensação de abundância.


Não necessariamente uma abundância de riquezas.


Mas uma abundância de recursos, de trabalho, de alimento e de esperança.

A terra produzia.


As colheitas aconteciam.


As famílias conseguiam sustentar seus lares.


Os visitantes continuavam chegando.


E, mesmo diante do aumento constante das necessidades, parecia sempre existir o suficiente para compartilhar.


Os moradores da fazenda trabalhavam muito.


Nada acontecia sem esforço.


Nada acontecia sem dedicação.


Os homens passavam longas jornadas nas lavouras.


As mulheres cuidavam das casas, dos alimentos, dos filhos e de inúmeras atividades indispensáveis para o funcionamento da comunidade.


As crianças cresciam aprendendo o valor do trabalho e da cooperação.


Todos possuíam uma função.


Todos contribuíam.


Todos participavam.


Mas havia algo que muitos moradores comentavam entre si.


Segundo os relatos transmitidos pelos descendentes, a Fazenda dos Castores parecia atravessar um período especialmente favorável.


As chuvas chegavam nos momentos certos.


As secas não eram tão severas quanto em outras regiões.


As plantações produziam.


Os alimentos não faltavam.


As necessidades dos moradores continuavam sendo atendidas.


Para muitos, aquilo era visto como uma bênção de Deus.


Não porque acreditassem que a vida havia se tornado fácil.


Mas porque percebiam que, mesmo diante das dificuldades inevitáveis da vida rural, a comunidade permanecia firme.


A prosperidade não era medida apenas pela quantidade de alimentos produzidos.


Era medida pela capacidade de compartilhar.


E nisso a Fazenda dos Castores destacava-se.


A cada nova romaria.


A cada nova celebração.


A cada nova visita.


Mais pessoas precisavam ser alimentadas.


Mais pessoas precisavam ser acolhidas.


Mais pessoas precisavam encontrar espaço para descansar.


Ainda assim, segundo a tradição preservada pela família, a comunidade continuava respondendo a essas necessidades.


As famílias colaboravam.


Os alimentos eram preparados.


Os visitantes eram recebidos.


Os dormitórios simples continuavam abrigando viajantes.


E a sensação de pertencimento tornava-se cada vez mais forte.


Aqueles que chegavam à Fazenda dos Castores não encontravam apenas um local de oração.


Encontravam uma comunidade viva.


Uma comunidade onde a fé caminhava lado a lado com o trabalho.


Onde a devoção caminhava lado a lado com a solidariedade.


Onde a hospitalidade caminhava lado a lado com o esforço diário.


Muitos visitantes retornavam para suas cidades impressionados não apenas pelos relatos envolvendo a imagem.


Mas pela forma como eram tratados.


Falavam da generosidade dos moradores.


Falavam das refeições compartilhadas.


Falavam do espírito de união que parecia existir entre as famílias.


E cada novo visitante levava essas histórias para outros lugares.


Assim, a fama da Fazenda dos Castores continuava a crescer.


Segundo os relatos preservados pelos descendentes, aquele foi um dos períodos mais felizes da história da comunidade.


As famílias trabalhavam.


As crianças cresciam.


As celebrações aconteciam.


Os romeiros chegavam.


A devoção fortalecia-se.


E a fazenda parecia viver seus melhores dias.


Mas toda grande história possui momentos de transformação.


Nenhuma comunidade permanece exatamente igual para sempre.


À medida que a fama da Festa dos Castores aumentava, também cresciam as responsabilidades.


Mais pessoas chegavam.


Mais recursos eram necessários.


Mais decisões precisavam ser tomadas.


E algumas dessas decisões acabariam influenciando profundamente o futuro da Fazenda dos Castores.


Naquele momento, porém, ninguém pensava em conflitos.


Ninguém pensava em divisões.


Ninguém imaginava as dificuldades que as gerações futuras enfrentariam.


Os moradores viviam o presente.


Viviam a prosperidade.


Viviam a alegria de ver sua comunidade crescer.


E entre todos eles, Francisco Soares Castor observava aquilo que ajudara a construir.


Talvez sem imaginar que estava testemunhando o auge de uma era que seria lembrada por seus descendentes durante muitas gerações.




Capítulo 17



Os trinta e três alqueires



O tempo passa para todos os homens.


Por mais forte que seja o trabalhador.


Por mais extensa que seja a propriedade.


Por mais sólida que pareça uma comunidade.


Chega o momento em que cada pessoa precisa refletir sobre aquilo que deixará para as gerações futuras.


Com Francisco Soares Castor não foi diferente.


Os anos avançavam.


A Fazenda dos Castores continuava crescendo.


A Festa dos Castores tornava-se cada vez mais conhecida.


Os romeiros continuavam chegando.


As famílias continuavam trabalhando.


Mas Francisco já não era o jovem agricultor que abrira caminhos em meio às matas da região.


O peso da idade começava a ser sentido.


Segundo a tradição oral preservada pela família Castor, foi nesse período que Francisco passou a tomar algumas das decisões mais importantes de sua vida.


Decisões que influenciariam não apenas sua família.


Mas também o futuro da própria Fazenda dos Castores.


Uma dessas decisões envolvia as terras.


Durante décadas, Francisco havia incentivado famílias a viverem e trabalharem em suas propriedades.


Muitas dessas pessoas haviam construído suas vidas ali.


Tinham aberto lavouras.


Construído moradias.


Criado filhos.


Formado raízes.


Por essa razão, segundo os relatos transmitidos pelos descendentes, Francisco começou a ceder terras para aqueles que já viviam e trabalhavam na fazenda.


Era uma atitude coerente com aquilo que sempre defendera.


A terra deveria servir às pessoas.


A terra deveria produzir vida.


A terra deveria gerar sustento.


Aqueles que haviam ajudado a construir a comunidade passavam agora a possuir aquilo que durante anos haviam cultivado.


Mas outra decisão também seria tomada.


Uma decisão que permaneceria viva na memória da família por muitas gerações.


Segundo a tradição oral dos Castores, Francisco Soares Castor doou trinta e três alqueires de terra para a Igreja Católica.


A intenção dessa doação, segundo os relatos familiares, era que aquela área permanecesse ligada à devoção de São Bom Jesus dos Castores.


Para Francisco, a fé que havia unido a comunidade deveria continuar sendo preservada.


A devoção deveria permanecer viva.


Os romeiros deveriam continuar encontrando um lugar para rezar.


As futuras gerações deveriam recordar aquilo que havia acontecido naquele local.


Os documentos que poderiam esclarecer todos os detalhes dessa doação não chegaram até nós.


Mas a memória da família preservou esse relato.


E essa memória atravessou décadas.


Segundo a tradição familiar, aqueles trinta e três alqueires possuíam grande importância simbólica.


Representavam uma parte daquilo que Francisco havia construído ao longo da vida.


Representavam sua tentativa de garantir que a devoção continuasse existindo após sua partida.


Com o passar dos anos, surgiram diferentes interpretações sobre o destino dessas terras.


Alguns acreditam que a área corresponde aproximadamente à região atualmente associada ao bairro dos Castores.


Outros associam a doação ao desenvolvimento posterior de áreas que participariam da formação de comunidades e municípios da região.


Entre essas interpretações encontra-se também a tradição segundo a qual parte dessas terras teria contribuído, direta ou indiretamente, para o surgimento da cidade de Onda Verde.


Essas questões permanecem objeto de debate.


E talvez jamais sejam completamente esclarecidas.


Mas independentemente das interpretações posteriores, uma coisa parece certa.


Francisco não tomou aquela decisão pensando em riqueza pessoal.


Tomou-a pensando no futuro.


Tomou-a pensando na continuidade daquilo que considerava importante.


Contudo, nem todas as terras tiveram um destino tão claramente definido.


Segundo os relatos preservados pela família Castor, existia uma imensa extensão territorial cuja história tornou-se cada vez mais difícil de reconstruir.


O avanço do tempo.


A ausência de registros completos.


As mudanças de propriedade.


As ocupações.


As negociações.


E até mesmo a ação de grileiros, tão comum em determinadas regiões do Brasil daquela época, tornaram o passado mais difícil de rastrear.


Muitas perguntas ficaram sem resposta.


O que aconteceu com toda a extensão da Fazenda dos Castores?


Quem herdou determinadas áreas?


Quem ocupou outras?


Quais terras permaneceram com descendentes da comunidade original?


Quais mudaram de mãos ao longo das décadas?


São perguntas que ainda ecoam entre os descendentes.


Mas naquele momento, Francisco provavelmente não estava preocupado com disputas futuras.


Seu olhar estava voltado para aquilo que acreditava ser mais importante.


A continuidade da comunidade.


A continuidade da fé.


A continuidade da acolhida aos romeiros.


Entretanto, o tempo continuava avançando.


E com ele aproximava-se uma nova geração.


Uma geração que enfrentaria desafios diferentes.


Uma geração que precisaria lidar com decisões difíceis.


Uma geração cujo principal representante seria seu filho, Joaquim Soares Castor.


E com a chegada dessa nova geração, começariam a surgir as primeiras mudanças capazes de alterar profundamente o rumo da história dos Castores.




Capítulo 18



Os últimos anos de Francisco



Os anos continuavam passando sobre a Fazenda dos Castores.


As estações sucediam-se.


As colheitas vinham e partiam.


As crianças cresciam.


Novas famílias surgiam.


E os caminhos que levavam à fazenda permaneciam movimentados.


Francisco Soares Castor já não possuía a mesma força física dos tempos em que abria trilhas na mata, construía cercas ou participava pessoalmente dos trabalhos mais pesados da propriedade.


O corpo envelhecia.


Mas sua presença continuava sendo uma referência para todos aqueles que viviam na comunidade.


Segundo a tradição oral preservada pela família Castor, os últimos anos de Francisco foram marcados pela continuidade daquilo que ele ajudara a construir.


A Festa dos Castores continuava acontecendo.


Os romeiros continuavam chegando.


As orações continuavam reunindo pessoas de diferentes lugares.


A hospitalidade permanecia viva.


As refeições continuavam sendo compartilhadas.


A devoção ao Senhor Bom Jesus dos Castores fortalecia-se a cada geração.


Aquilo que havia começado na simplicidade da varanda de sua casa agora fazia parte da identidade da região.


Francisco assistia a tudo isso já como um homem idoso.


Talvez sem imaginar a dimensão que sua história alcançaria nas décadas seguintes.


Segundo os relatos transmitidos pelos descendentes, a Fazenda dos Castores permanecia sendo um lugar de trabalho, mas também de convivência.


As famílias continuavam cultivando suas terras.


Os filhos cresciam.


Os netos começavam a nascer.


A comunidade que antes era formada por pioneiros agora começava a ver surgir uma nova geração.


Foi nesse período que alguns dos netos de Francisco nasceram na própria Fazenda dos Castores.


Entre eles, segundo a memória preservada pela família, estavam João Soares Castor, nascido em 1903, Francisco Soares Castor, nascido em 1905, Cesário Soares Castor, nascido em 1907, e Eudócia Soares Castor, nascida em 1917.


Esses registros possuem importância especial.


Porque demonstram que a presença da família Castor na região continuou por muito tempo após o início da Festa dos Castores.


Esse fato é frequentemente lembrado pelos descendentes quando analisam algumas versões históricas que afirmam apenas que o local recebeu esse nome por causa de uma família que ali viveu.


Segundo a tradição familiar, os Castores não apenas viveram ali em determinado momento.


Eles permaneceram ali.


Criaram filhos.


Criaram netos.


Participaram da construção da comunidade.


Acompanharam o crescimento da devoção.


Fizeram parte da história daquele lugar durante gerações.


Por essa razão, para muitos descendentes, a ligação entre a família Castor e São Bom Jesus dos Castores vai muito além de uma simples referência geográfica.


Trata-se de uma relação construída ao longo de décadas.


Uma relação marcada por trabalho, fé, convivência e memória.


Enquanto isso, a fama da Festa dos Castores continuava crescendo.


A cada ano, mais pessoas chegavam.


Mais histórias circulavam.


Mais relatos de graças alcançadas eram compartilhados.


O nome da Fazenda dos Castores tornava-se conhecido em lugares cada vez mais distantes.


Mas o crescimento trazia também novos desafios.


Quanto maior a celebração.


Quanto maior o número de visitantes.


Quanto maior a responsabilidade.


Mais complexa se tornava a organização de tudo aquilo.


Francisco já não possuía a mesma energia dos primeiros anos.


A nova geração começava gradualmente a assumir responsabilidades.


Entre esses homens encontrava-se seu filho, Joaquim Soares Castor.


Naquele momento, ninguém poderia prever como os acontecimentos futuros seriam lembrados pelos descendentes.


Ninguém imaginava que, décadas mais tarde, surgiriam diferentes versões sobre o que aconteceu após a morte de Francisco.


Ninguém imaginava que algumas dessas versões se transformariam em temas delicados dentro da própria família.


Mas os primeiros sinais de mudança já começavam a aparecer.


A história aproximava-se de uma transição.


A era dos pioneiros estava chegando ao fim.


Uma nova geração preparava-se para assumir seu lugar.


E com ela chegariam novas decisões.


Novos desafios.


Novas interpretações.


E talvez alguns dos capítulos mais complexos de toda a história da família Castor.


Francisco Soares Castor faleceu em 1925.


Deixou para trás uma comunidade consolidada.


Uma devoção viva.


Uma festa que continuava reunindo multidões.


E uma memória que atravessaria gerações.


Mas também deixou perguntas que seus descendentes continuariam tentando responder por muitos anos.


Perguntas que ainda ecoam na tradição oral da família.


Perguntas que permanecem sem respostas definitivas.


E que começariam a ganhar força justamente após sua partida.



Capítulo 19


Joaquim Soares Castor



Se Francisco Soares Castor é lembrado como o homem que construiu, acolheu e reuniu pessoas, Joaquim Soares Castor ocupa um lugar muito diferente dentro da memória da família.


Talvez nenhum outro nome desperte tantas perguntas entre os descendentes.


Talvez nenhum outro personagem esteja cercado por tantas versões diferentes.


Talvez nenhum outro integrante da família esteja tão próximo do centro das histórias que atravessaram gerações.


Joaquim Soares Castor nasceu em 1876, na própria Fazenda dos Castores.


Diferentemente de seu pai, que chegou àquelas terras como pioneiro, Joaquim cresceu dentro de uma comunidade já formada.


Nasceu em um ambiente onde a fazenda prosperava.


Onde famílias cultivavam a terra.


Onde os romeiros chegavam.


Onde a devoção ao Senhor Bom Jesus dos Castores já fazia parte da vida cotidiana.


Ele viu a festa crescer.


Viu a comunidade se desenvolver.


Viu a fama da Fazenda dos Castores espalhar-se pela região.


E, segundo a tradição familiar, acompanhou de perto praticamente todos os acontecimentos que marcaram aquele período.


Entretanto, quando os descendentes falam sobre Joaquim, quase sempre surge um sentimento diferente daquele associado a Francisco.


Surge a dúvida.


Surge o silêncio.


Surge a dificuldade em compreender o que realmente aconteceu.


Ao longo das décadas, diferentes versões começaram a circular dentro da própria família Castor.


Algumas vezes essas versões concordam entre si.


Outras vezes entram em conflito.


Mas quase todas apontam para um mesmo período de transformação.


Um período que ocorreu após os anos de maior prosperidade da Fazenda dos Castores.


Segundo alguns relatos familiares, Joaquim teria se afastado da devoção que existia em torno da imagem.


Outras versões afirmam que ele passou a discordar da forma como a festa vinha sendo conduzida.


Há ainda relatos que sugerem conflitos relacionados às terras.


Existem também interpretações que associam os acontecimentos a questões religiosas.

E existem versões que misturam vários desses fatores.


O fato é que nenhuma dessas explicações pode ser comprovada de maneira definitiva.


Elas chegaram até os dias atuais através da tradição oral.


Foram transmitidas de geração em geração.


Foram contadas por pais, mães, avós, tios e conhecidos da família.


E, como toda tradição oral, preservaram memórias, mas também deixaram lacunas.


Uma das histórias mais conhecidas afirma que Joaquim teria tentado destruir a imagem de São Bom Jesus dos Castores.


Essa narrativa aparece em diferentes versões dentro da família.


Em algumas delas, a tentativa estaria relacionada a divergências religiosas.


Em outras, a conflitos envolvendo a administração da festa.


Em outras ainda, a questões ligadas ao destino das terras.


Mas o que chama a atenção é que, independentemente das diferenças, a história permanece viva há muitas gerações.


Talvez porque represente algo maior do que o próprio acontecimento.


Talvez porque simbolize uma ruptura.


Uma ruptura entre o passado e o futuro.


Uma ruptura entre diferentes formas de compreender aquilo que Francisco havia construído.


Ao longo dos anos, muitos descendentes passaram a associar a figura de Joaquim a esse momento de mudança.


Mas nem mesmo entre os familiares existe consenso.


Alguns o enxergam como alguém que tentou impedir aquilo que considerava errado.


Outros acreditam que foi vítima das circunstâncias de sua época.


Outros simplesmente reconhecem que não possuem informações suficientes para formar um julgamento.


E talvez essa seja a postura mais honesta.


Reconhecer que nem todas as perguntas possuem respostas.


Reconhecer que parte da história perdeu-se no tempo.


Reconhecer que os homens do passado nem sempre podem defender sua própria versão dos acontecimentos.


O que sabemos com certeza é que Joaquim Soares Castor tornou-se o elo entre duas épocas.


A época de Francisco.


E a época que viria depois.


Uma época marcada por mudanças profundas.


Mudanças que afetariam não apenas a Fazenda dos Castores.


Mas também os próprios descendentes da família.


Os anos seguintes seriam decisivos.


A comunidade continuaria existindo.


A Festa dos Castores continuaria acontecendo.


A devoção permaneceria viva.


Mas algo começava a mudar.


E essa mudança seria lembrada por muitas gerações.


Porque, segundo a tradição oral da família Castor, foi nesse período que começaram os acontecimentos que mais tarde dariam origem ao grande silêncio que cercou a história dos Castores.


Um silêncio que ainda ecoa entre seus descendentes até os dias de hoje.




Capítulo 20


A ruptura



Toda história possui momentos que podem ser explicados.


E possui momentos que permanecem envoltos em mistério.


A história da família Castor possui vários desses mistérios.


Mas talvez nenhum seja tão importante quanto aquele que envolve os anos finais da presença de Francisco Soares Castor na Fazenda dos Castores e os acontecimentos que se seguiram.


Segundo os registros preservados pela tradição oral da família, a Festa dos Castores já existia pelo menos desde os primeiros anos do século XX.


Relatos familiares apontam para celebrações realizadas por volta de 1909.


Naquele período, a devoção ao Senhor Bom Jesus dos Castores já havia ultrapassado os limites da fazenda.


Os romeiros continuavam chegando.


A fama da festa crescia.


As celebrações tornavam-se cada vez mais conhecidas.


Mas existe uma pergunta que acompanha os descendentes até os dias atuais.


Se Francisco Soares Castor faleceu apenas em 1925, o que aconteceu entre os anos de crescimento da festa e sua morte?


O que levou Francisco a deixar a região da Fazenda dos Castores?


O que levou Joaquim Soares Castor a seguir o mesmo caminho?


Por que pai e filho foram viver em Palestina, no interior paulista?


As respostas para essas perguntas nunca chegaram até nós de forma definitiva.

O que chegou foram versões.


Fragmentos de memória.


Relatos transmitidos ao longo das gerações.


Segundo algumas dessas versões, o crescimento constante da festa trouxe novos desafios.


A cada ano aumentava o número de romeiros.


A cada ano aumentavam as necessidades da comunidade.


Mais pessoas precisavam ser alimentadas.


Mais pessoas precisavam ser acolhidas.


Mais recursos eram necessários para manter tudo funcionando.


Durante muitos anos, a tradição da Fazenda dos Castores havia sido baseada na partilha.


Os alimentos eram oferecidos.


Os visitantes eram acolhidos.


As refeições eram preparadas coletivamente.


Mas alguns relatos familiares sugerem que começaram a surgir divergências sobre como a festa deveria continuar.


Segundo essas versões, algumas pessoas passaram a defender que os alimentos servissem também para custear a manutenção das celebrações.


Outras acreditavam que tudo deveria continuar sendo oferecido gratuitamente, como acontecia nos primeiros tempos.


Não sabemos exatamente como essas discussões ocorreram.


Não sabemos quem participou delas.


Não sabemos quais decisões foram tomadas.


Mas sabemos que elas permaneceram vivas na memória da família.


E é justamente nesse contexto que surgem as histórias relacionadas a Joaquim Soares Castor.


Segundo a tradição oral transmitida entre os descendentes, Joaquim teria entrado em conflito com os rumos que a festa estava tomando.


Alguns afirmam que ele não aceitava aquilo que considerava uma exploração da fé dos romeiros.


Outros acreditam que as divergências estavam ligadas ao destino das terras.


Outros mencionam mudanças religiosas.


Existem ainda versões que misturam todos esses fatores.


Talvez nunca seja possível saber exatamente o que aconteceu.


Mas uma coisa parece clara.


Alguma ruptura ocorreu.


Uma ruptura suficientemente profunda para marcar a memória da família durante gerações.


É nesse período que aparece a narrativa mais conhecida e também mais controversa da tradição oral dos Castores.


A história segundo a qual Joaquim teria tentado destruir a imagem de São Bom Jesus dos Castores.


Ao longo dos anos, essa história foi contada de muitas formas.


Algumas versões afirmam que a tentativa ocorreu por razões religiosas.


Outras sugerem questões ligadas à administração da festa.


Outras apontam conflitos familiares.


Mas nenhuma dessas versões pode ser comprovada com absoluta certeza.


O que sabemos é que a história permaneceu viva.


Permaneceu viva porque foi repetida.


Permaneceu viva porque continuou sendo lembrada.


Permaneceu viva porque, para muitos descendentes, ela simboliza o momento em que a história da família e a história da festa começaram a seguir caminhos diferentes.


Pouco tempo depois, Francisco e Joaquim encontravam-se em Palestina.


A Fazenda dos Castores continuava existindo.


A devoção continuava existindo.


A festa continuava existindo.


Mas seus principais protagonistas já não estavam mais ali.


Essa talvez seja uma das maiores ironias da história.


Os homens que ajudaram a construir aquele legado acabaram afastando-se do lugar onde tudo começou.


E ninguém sabe ao certo por quê.


Talvez tenham sido conflitos.


Talvez tenham sido mudanças econômicas.


Talvez tenham sido questões familiares.


Talvez tenham sido circunstâncias que jamais conheceremos.


O fato é que a saída da família Castor da Fazenda dos Castores tornou-se um dos acontecimentos mais marcantes de toda a sua história.


E os efeitos dessa ruptura continuariam sendo sentidos por muitas décadas.


Não apenas na comunidade.


Mas também dentro da própria família.


Porque a partir daquele momento começava a surgir um fenômeno que atravessaria gerações.


O distanciamento.


O distanciamento entre os Castores e a festa.


O distanciamento entre os Castores e sua própria história.


O distanciamento entre os descendentes e as memórias que haviam dado origem àquela tradição.


Um distanciamento que ainda seria lembrado muito tempo depois.


E que ajudaria a explicar o silêncio que tantas vezes cercou o nome da família Castor.




Capítulo 21


Leite e Mel



Após a saída da Fazenda dos Castores, a história da família continuou.

Os caminhos mudaram.


As terras mudaram.


As gerações mudaram.


Mas algumas lembranças permaneceram vivas.


Grande parte dessas memórias chegou até os dias atuais graças aos relatos preservados por pessoas que conheceram os descendentes de Joaquim Soares Castor.


Entre elas, uma ocupa lugar especial nesta obra.


Salim José Cury.


Foi através dele que muitas informações chegaram até Jane Novaes dos Santos Soares Castor e, posteriormente, a Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor.


Morador da cidade de Palestina, interior de São Paulo, Salim José Cury era conhecido por sua memória extraordinária.


Conhecia famílias.


Conhecia histórias.


Conhecia acontecimentos que já haviam sido esquecidos por muitas pessoas.


Ao longo dos anos, compartilhou relatos sobre os filhos de Joaquim Soares Castor, sobre suas vidas e sobre costumes preservados dentro da família.


Entre esses relatos, um chamava especialmente a atenção.


Segundo Salim José Cury, os Castores que viviam em Palestina possuíam uma relação muito peculiar com a terra e com os animais.


Diferentemente do que era comum em muitas propriedades rurais da época, não havia grande interesse em abrir extensas áreas de mata apenas para formar pastagens.


O gado permanecia solto.


Circulava livremente entre as áreas de vegetação.


As matas eram preservadas.


E, segundo esses relatos, os animais eram vistos principalmente como fonte de leite.

Salim José Cury costumava dizer que os Castores consumiam leite e mel.


Raramente abatiam um boi.


Raramente sacrificavam um bezerro.


O leite fazia parte da alimentação cotidiana.


O mel também ocupava lugar importante.


Era um costume que chamava a atenção daqueles que conviviam com a família.


Talvez porque fosse diferente daquilo que se observava em muitas outras propriedades rurais da região.


Durante muitos anos, essa informação permaneceu apenas como uma curiosidade familiar.


Mas o passar do tempo trouxe novas reflexões.


À medida que Bruno aprofundava seus estudos sobre história, religião e tradições antigas, começou a observar certas coincidências.


Alguns costumes relatados por Salim José Cury pareciam lembrar práticas associadas a antigos grupos de origem judaica.


O valor atribuído à preservação da vida animal.


O consumo predominante de leite.


A importância dada a determinados hábitos familiares.


Essas observações despertaram uma pergunta.


Seria possível que os Castores possuíssem alguma origem judaica distante?

Naturalmente, essa pergunta não possui resposta definitiva.


Não existem documentos conhecidos que comprovem tal hipótese.


Não existem registros que permitam afirmar isso com certeza.


Mas a pergunta permaneceu.


E continua presente até hoje.


A própria origem do sobrenome Castor abre espaço para diferentes possibilidades.


Algumas tradições associam o nome a antigos santos cristãos, como São Castor de Karden e São Castor de Apt.


Outras hipóteses apontam para linhagens da Península Ibérica.


Existem ainda interpretações relacionadas aos cristãos-novos, descendentes de judeus sefarditas convertidos ao cristianismo durante períodos de perseguição religiosa.


Nenhuma dessas hipóteses pode ser apresentada como fato comprovado.


Mas todas ajudam a compreender a riqueza e a complexidade das perguntas que cercam a história da família.


Talvez o mais importante não seja encontrar uma resposta definitiva.


Talvez o mais importante seja reconhecer que as famílias carregam memórias que atravessam séculos.


Costumes.


Hábitos.


Tradições.


Pequenos comportamentos que sobrevivem muito tempo depois que as explicações originais já foram esquecidas.


E é justamente nesse ponto que as reflexões sobre Joaquim Soares Castor voltam a surgir.


Se realmente existiam tradições familiares mais antigas.


Se realmente havia costumes herdados de gerações anteriores.


Seria possível que parte dos conflitos surgidos após a morte de Francisco estivesse relacionada a diferenças de visão religiosa?


Seria possível que algumas escolhas de Joaquim tenham sido influenciadas por crenças que hoje desconhecemos?


Ou seriam apenas coincidências?


Mais uma vez, não existem respostas definitivas.


Existem apenas perguntas.


Perguntas que a tradição oral não conseguiu responder completamente.


Mas que ajudam a compreender por que a história da família Castor é tão complexa.


Talvez o maior legado de Salim José Cury não tenha sido fornecer respostas.


Talvez tenha sido preservar perguntas.


Perguntas que continuam despertando curiosidade nas novas gerações.


Perguntas que impedem que a história seja esquecida.


Perguntas que mantêm viva a busca pelas próprias origens.


E talvez seja justamente isso que toda família precisa.


Não apenas conhecer de onde veio.


Mas continuar procurando compreender quem realmente é.


Enquanto isso, os descendentes de Joaquim seguiam construindo suas vidas.


Casavam-se.


Criavam filhos.


Trabalhavam.


Enfrentavam dificuldades.


Viviam alegrias.


Mas também começavam a experimentar uma sucessão de acontecimentos que marcariam profundamente a memória da família.


Histórias de sofrimento.


Histórias de perdas.


Histórias de tragédias.


Histórias que seriam lembradas durante décadas.


E que acabariam se tornando parte inseparável da narrativa dos Castores.





Capítulo 22


As tragédias dos descendentes


Ao longo dos anos, uma ideia passou a fazer parte das conversas da família Castor.


Uma ideia difícil de explicar.


Difícil de provar.


Mas impossível de ignorar.


Muitos familiares acreditavam que algo havia mudado após os acontecimentos que marcaram os últimos anos da Fazenda dos Castores.


Enquanto a história de Francisco Soares Castor era lembrada como uma história de construção, acolhimento e prosperidade, as histórias associadas às gerações seguintes pareciam frequentemente acompanhadas por sofrimento, perdas e dificuldades.


Naturalmente, toda família possui alegrias e tristezas.


Toda família enfrenta desafios.


Toda família conhece o luto.


Mas entre os Castores surgiu a percepção de que muitas tragédias haviam se concentrado sobre os descendentes de Joaquim Soares Castor.


Era uma percepção transmitida de geração em geração.


Uma percepção que acabaria marcando profundamente a memória familiar.


Joaquim Soares Castor teve doze filhos.


Uma família numerosa, como era comum naquele tempo.


Cada um deles construiu sua própria trajetória.


Cada um viveu suas alegrias e suas dificuldades.


Mas muitos de seus descendentes lembravam que vários desses caminhos terminaram de forma dolorosa.


Entre as histórias mais lembradas encontra-se a de Virgínia Soares Castor.


Segundo os relatos preservados pela família, Virgínia era uma jovem de apenas quatorze anos.


Apaixonou-se por um rapaz de sua idade.


Mas, segundo a tradição familiar, Joaquim era extremamente rígido e não permitia que os dois se encontrassem.


Os detalhes perderam-se com o tempo.


Mas a lembrança da tragédia permaneceu.


A família conta que, em um momento de profundo sofrimento, Virgínia ateou fogo ao paiol de milho utilizando querosene e acabou perdendo a própria vida.


Décadas se passaram.


Mas seu nome continuou sendo lembrado.


Não apenas pela forma como morreu.


Mas porque sua história tornou-se símbolo da dureza daqueles tempos.


Outra lembrança frequentemente citada pelos familiares é a de João Soares Castor.


Segundo os relatos transmitidos entre gerações, João faleceu após um atropelamento ocorrido na cidade de Palestina.


Sua morte tornou-se mais uma das perdas que marcaram a família.


Também permanece viva na memória familiar a história de Manoel Soares Castor.


Segundo os relatos preservados pelos descendentes, Manoel teria sido vítima de uma emboscada.


Recebeu violentos golpes na cabeça.


Sobreviveu.


Mas passou a enfrentar graves dificuldades pelo resto da vida.


Os familiares recordavam esse episódio como um dos acontecimentos mais dolorosos entre os filhos de Joaquim.


Há também a história de Jeronyma Rosa do Carmo, embora alguns familiares associem determinados detalhes à memória de Ana Soares Castor, conhecida por alguns como Tia Cota.


Os relatos divergem quanto à identidade exata.


Mas a história permanece.


Segundo a tradição oral, após o falecimento de Joaquim Soares Castor, uma das filhas retornava do velório vestida de preto.


Ao lidar com o gado da propriedade, teria sido atacada por uma vaca considerada extremamente mansa.


Os ferimentos foram graves.


Segundo a memória familiar, ela permaneceu aproximadamente dezoito anos sem conseguir andar, até seu falecimento.


Outra perda lembrada pelos descendentes foi a de Cesário Soares Castor.


Ainda criança, faleceu aos cinco anos de idade.


Sua breve passagem pela vida permaneceu registrada na memória dos familiares.


Ao longo dos anos, outras histórias de sofrimento continuaram sendo contadas.


Problemas relacionados ao alcoolismo.


Conflitos familiares.


Dificuldades financeiras.


Acidentes.


Desentendimentos.


Perdas inesperadas.


Tudo isso passou a compor a narrativa transmitida entre as gerações.


Entre essas histórias, uma ocupa lugar especial na memória da família.


A história de Antônio Soares Castor.


Filho mais novo de Joaquim Soares Castor.


Avô de Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor.


Antônio era agricultor.


Trabalhava com sementes.


Plantava principalmente arroz.


Possuía terras na região de Palestina, próximas ao Rio Piau, atualmente conhecido por muitos como Córrego do Piau.


Segundo os relatos familiares, vendeu uma propriedade para adquirir outra mais próxima da cidade.


Trabalhava intensamente.


Construía seu patrimônio.


Planejava o futuro.


Mas um acidente mudaria sua vida.


Segundo a tradição preservada pela família, Antônio sofreu um grave acidente envolvendo um trator, ferindo seriamente um dos pés.


A partir desse episódio, acontecimentos que permanecem cercados de dúvidas passaram a fazer parte da memória familiar.


Segundo os relatos transmitidos por Ana Rodrigues Porto Soares Castor, esposa de Antônio, ele teria permanecido em estado extremamente grave.


Familiares receberam a informação de que seriam necessários recursos urgentes para salvar sua vida.


Ana era analfabeta.


Assustada.


Preocupada com o marido.


Segundo a memória familiar, foi convencida a vender a propriedade por um valor considerado muito inferior ao que realmente valia.


A venda teria ocorrido sob forte pressão emocional.


O objetivo era obter recursos para o tratamento de Antônio.


Quando recuperou a saúde e voltou a trabalhar, Antônio descobriu que suas terras já não lhe pertenciam.


Esse episódio marcou profundamente sua vida.


Segundo os familiares, foi a partir daí que ele mergulhou em um período de grande sofrimento.


O álcool passou a ocupar espaço crescente em sua rotina.


E esse sofrimento acabaria acompanhando seus últimos anos.


Décadas depois, histórias semelhantes continuariam aparecendo na família.


Entre elas, a de Oswaldo Soares Castor.


Filho de Antônio.


Pai de Bruno.


Segundo a memória familiar, Oswaldo também enfrentou longos anos de luta contra o alcoolismo.


Uma batalha que atravessou grande parte de sua vida.


Em determinado momento, graças ao esforço de seus familiares, recebeu tratamento especializado.


Conseguiu permanecer um período sem beber.


Mas os danos acumulados ao longo dos anos já haviam comprometido sua saúde.


Seu falecimento deixou marcas profundas na família.


Ao olhar para todas essas histórias, muitos descendentes passaram a enxergar um padrão.


Alguns acreditavam que existia uma ligação entre os sofrimentos da família e os acontecimentos ocorridos após os tempos de Francisco Soares Castor.


Outros preferiam interpretar tudo como consequência das escolhas humanas e das dificuldades normais da vida.


Talvez nunca exista uma resposta definitiva.


Talvez algumas perguntas permaneçam abertas para sempre.


Mas uma coisa é certa.


Essas histórias marcaram profundamente a memória dos Castores.


E ajudaram a construir a forma como as gerações seguintes passaram a enxergar seu próprio passado.


Contudo, seria um erro permitir que a dor se tornasse a única herança dessa família.


Porque, apesar de todas as perdas, a história dos Castores não terminou nas tragédias.


Ela continuou.


Sobreviveu.


Chegou até os dias atuais.


E nas gerações mais recentes começava a surgir uma nova pergunta.


Não mais a pergunta sobre o que havia acontecido.


Mas a pergunta sobre o que ainda poderia ser restaurado.


E essa pergunta levaria a família Castor a refletir sobre reconciliação, perdão e reencontro com suas próprias raízes.





Capítulo 23


O pedido de perdão


Entre todas as histórias transmitidas pela tradição oral da família Castor, existe uma que ocupa um lugar muito particular.


Não fala sobre terras.


Não fala sobre festas.


Não fala sobre romarias.


Não fala sobre documentos.


Ela fala sobre responsabilidade.


Uma responsabilidade que, segundo alguns familiares, atravessou gerações.


Ao longo dos anos, à medida que as histórias sobre Joaquim Soares Castor continuavam sendo contadas, surgiu também uma crença.


Uma crença segundo a qual o sofrimento vivido por parte da família estaria relacionado aos acontecimentos ocorridos após os tempos da Fazenda dos Castores.


Naturalmente, essa interpretação nunca foi aceita por todos.


Nem poderia ser.


Tratava-se de uma tradição familiar.


De uma forma de compreender os acontecimentos.


Não de uma certeza histórica.


Mas essa tradição continuou sendo transmitida.


E, dentro dela, surgiu uma ideia específica.


A ideia de que alguém da linhagem principal da família deveria pedir perdão a Jesus pelos erros atribuídos a Joaquim Soares Castor.


Ao longo do tempo, essa responsabilidade passou a ser associada ao filho mais velho da família.


Aquele que representaria simbolicamente a continuidade da linhagem.


Segundo os relatos preservados por Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor, essa história foi repetida diversas vezes dentro da família.


Era uma narrativa conhecida.


Uma narrativa que atravessou gerações.


E que permaneceu viva mesmo quando muitos outros detalhes da história já haviam sido esquecidos.


Bruno ouviu essa história através de sua mãe, Jane Novaes dos Santos Soares Castor.


Ouviu também através de outros familiares.


Segundo esses relatos, o pedido de perdão deveria ser feito em São Bom Jesus dos Castores.


No lugar onde toda a história havia começado.


No chão da antiga Fazenda dos Castores.


No local onde, segundo a tradição familiar, Joaquim teria entrado em conflito com aquilo que seu pai ajudara a construir.


Com o passar dos anos, essa ideia começou a se aproximar cada vez mais da vida de Bruno.


Seu pai, Oswaldo Soares Castor, era filho de Antônio Soares Castor.


Antônio era o filho mais novo de Joaquim Soares Castor.


E Bruno era o filho mais velho de Oswaldo.


Por essa razão, algumas pessoas da família acreditavam que essa responsabilidade chegaria até ele.


Mas a situação não era simples.


Porque Bruno possuía sua própria compreensão da fé.


Desde muito jovem acreditava que o perdão deveria ser pedido diretamente a Deus.


Diretamente a Jesus.


Através da oração.


Através do arrependimento sincero.


Através da fé.


Por isso, durante muitos anos, não sentiu necessidade de viajar até uma imagem para pedir perdão.


Em seu entendimento, Deus ouvia as orações feitas em qualquer lugar.


Dentro de casa.


No trabalho.


Na igreja.


Ou em silêncio.


Ainda assim, a história continuava presente.


Continuava acompanhando sua memória.


Continuava surgindo em conversas familiares.


Continuava ecoando através das gerações.


Não como uma obrigação.


Mas como uma pergunta.


Uma pergunta sobre identidade.


Uma pergunta sobre pertencimento.


Uma pergunta sobre reconciliação.


Com o passar do tempo, Bruno compreendeu que talvez a questão não estivesse relacionada à imagem.


Talvez a questão estivesse relacionada ao lugar.


À história.


À memória.


À família.


Anos depois, uma oportunidade surgiu.


Uma amiga o convidou para visitar São Bom Jesus dos Castores.

E ele decidiu ir.


Segundo seu próprio relato, não foi porque acreditasse que Deus estivesse limitado àquele local.


Não foi porque acreditasse que o perdão dependesse de uma imagem.


Não foi porque considerasse sua fé insuficiente.


Foi por outro motivo.


Foi porque desejava honrar a história de sua família.


Foi porque desejava encerrar uma questão que atravessava gerações.


Foi porque desejava olhar para aquele passado e dizer, diante de Deus, aquilo que já havia dito muitas vezes em suas orações.


Pedir perdão.


Pedir misericórdia.


Pedir reconciliação.


Naquele momento, não importava mais se a tradição estava certa ou errada.


Não importava mais se todos os detalhes da história eram exatos.


Importava apenas o coração.


Importava apenas a sinceridade.


Importava apenas a busca pela paz.


E assim, segundo sua própria compreensão, Bruno realizou aquilo que muitas pessoas da família acreditavam ser necessário.


Não por obrigação.


Não por medo.


Mas por amor à sua história.


Por respeito aos seus antepassados.


E por fé em Jesus Cristo.


Talvez ninguém saiba ao certo o que aconteceu entre Francisco e Joaquim.


Talvez algumas perguntas permaneçam sem resposta para sempre.


Mas naquele momento uma nova etapa começava.


Porque o objetivo já não era compreender apenas o passado.


O objetivo passava a ser construir o futuro.


Um futuro onde os Castores pudessem recordar sua história sem carregar apenas suas dores.


Um futuro onde a memória servisse para unir.


E não para separar.


Um futuro onde a fé pudesse ocupar novamente o lugar central que um dia ocupou na antiga Fazenda dos Castores.


E essa busca por reconciliação começaria a apontar para uma pergunta ainda maior.


A pergunta sobre o verdadeiro significado da herança deixada por Francisco Soares Castor.


Uma herança que talvez nunca tenha sido uma imagem.


Nem uma festa.


Nem terras.


Mas algo muito mais profundo.



Capítulo 24


Os Castores e o silêncio



Durante muito tempo, existiu uma pergunta que acompanhou Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor.


Uma pergunta simples.


Mas difícil de responder.


Por que os Castores falavam tão pouco sobre os Castores?


Ao longo de sua infância e juventude, ele percebeu algo curioso.


A história estava ali.


Mas ao mesmo tempo parecia escondida.


Os nomes existiam.


As memórias existiam.


Os acontecimentos existiam.


Mas quase sempre apareciam de forma fragmentada.


Como peças soltas de um quebra-cabeça.


Alguns familiares contavam pequenos trechos.


Outros evitavam o assunto.


Outros mudavam de conversa.


Outros demonstravam desconforto.


E assim, durante décadas, a história da própria família permaneceu cercada por um silêncio difícil de compreender.


Foi justamente esse silêncio que despertou a curiosidade de Jane Novaes dos Santos Soares Castor.


Ela percebia que existia algo importante por trás daqueles relatos incompletos.


Percebia que havia perguntas sem resposta.


Percebia que havia acontecimentos que ninguém parecia disposto a explicar completamente.


E decidiu investigar.


Graças a essa decisão, fragmentos da memória familiar foram preservados.


Mas o silêncio continuou existindo.


E quanto mais Bruno conhecia a história dos Castores, mais percebia que esse silêncio talvez tivesse várias origens.


Talvez estivesse ligado aos conflitos envolvendo Joaquim Soares Castor.


Talvez estivesse ligado às disputas sobre terras.


Talvez estivesse ligado às tragédias que marcaram gerações.


Talvez estivesse ligado ao sofrimento acumulado ao longo do tempo.


Ou talvez estivesse ligado a tudo isso ao mesmo tempo.


A verdade é que ninguém sabia responder com certeza.


Mas o resultado era visível.


Existia um distanciamento.


Um distanciamento que chamava a atenção.


Porque, ao mesmo tempo em que a Festa dos Castores continuava existindo, muitos Castores pareciam não fazer parte dela.


Ao mesmo tempo em que milhares de pessoas conheciam São Bom Jesus dos Castores, muitos descendentes da própria família pouco falavam sobre sua relação com aquele lugar.


Ao mesmo tempo em que a memória da festa permanecia viva na região, a memória familiar parecia enfraquecer dentro de casa.


Era um contraste difícil de ignorar.


Quanto mais Bruno refletia sobre isso, mais uma pergunta surgia.


Como uma família tão ligada às origens daquela história pôde afastar-se tanto dela?


Talvez a resposta esteja justamente nas feridas que nunca cicatrizaram completamente.


As perdas.


As tragédias.


Os ressentimentos.


As dúvidas.


Os conflitos.


Os silêncios.


Tudo isso acumulou-se ao longo das gerações.


E quando o sofrimento não encontra palavras, muitas vezes transforma-se em silêncio.


Mas existe algo curioso sobre o silêncio.


Ele nunca consegue apagar completamente a memória.


Pode escondê-la.


Pode enfraquecê-la.


Pode fragmentá-la.


Mas não consegue destruí-la.


Foi por isso que a história sobreviveu.


Sobreviveu nas conversas entre avós e netos.


Sobreviveu nas lembranças de Ana Rodrigues Porto Soares Castor.


Sobreviveu nas perguntas feitas por Jane Novaes dos Santos Soares Castor.


Sobreviveu nos relatos preservados por Salim José Cury.


Sobreviveu nas histórias contadas durante reuniões familiares.


Sobreviveu porque alguém sempre continuou lembrando.


E foi justamente essa memória sobrevivente que chegou até Bruno.


Ao olhar para tudo aquilo, ele passou a perceber que talvez a maior perda dos Castores não tivesse sido a terra.


Talvez não tivesse sido a riqueza.


Talvez não tivesse sido o patrimônio.


Talvez a maior perda tivesse sido a conexão com a própria história.


Uma história que durante muito tempo permaneceu escondida sob camadas de esquecimento.


Mas se o silêncio fazia parte do passado, uma nova possibilidade começava a surgir.


A possibilidade de lembrar.


A possibilidade de registrar.


A possibilidade de reconciliar.


Porque ninguém pode mudar aquilo que aconteceu.


Ninguém pode voltar no tempo para corrigir erros.


Ninguém pode eliminar as dores das gerações anteriores.


Mas existe algo que sempre pode ser feito.


Compreender.


Perdoar.


E transmitir adiante aquilo que merece ser preservado.


Talvez seja justamente esse o propósito desta obra.


Não provar que uma versão está completamente certa e outra completamente errada.


Não julgar pessoas que já partiram.


Não reabrir antigas feridas.


Mas impedir que a memória desapareça.


Permitir que as futuras gerações conheçam suas origens.


Permitir que os descendentes saibam de onde vieram.


Permitir que a história dos Castores continue viva.


Porque uma família que conhece sua história possui raízes.


E raízes profundas ajudam a enfrentar as tempestades do tempo.


Foi essa compreensão que começou a nascer no coração de Bruno.


E a partir dela surgiu uma nova esperança.


A esperança de que a história dos Castores não terminasse no silêncio.


Mas encontrasse novamente sua voz.


Uma voz capaz de unir memória, fé e reconciliação.


Uma voz capaz de olhar para o passado sem permanecer presa a ele.


Uma voz capaz de apontar para o futuro.


E foi dessa esperança que nasceu o desejo de reunir novamente aquilo que durante tanto tempo permaneceu separado.



Capítulo 25


Reconciliação



Toda família carrega histórias.


Algumas são contadas com orgulho.


Outras são contadas com dor.


E algumas permanecem escondidas durante muito tempo.


A história da família Castor possui um pouco de cada uma delas.


Ao longo destas páginas surgiram relatos de fé, trabalho, prosperidade, hospitalidade, conflitos, perdas, dúvidas e silêncio.


Surgiram personagens que ajudaram a construir uma comunidade.


Surgiram pessoas que deixaram marcas profundas na memória de seus descendentes.


Surgiram perguntas que talvez jamais sejam completamente respondidas.


Mas ao chegar a este ponto da história, uma nova reflexão começa a surgir.


O que fazer com tudo isso?


O que fazer com as alegrias?


O que fazer com as dores?


O que fazer com as memórias que atravessaram gerações?


Durante muito tempo, muitos descendentes dos Castores carregaram perguntas sobre o passado.


Perguntas sobre Francisco.


Perguntas sobre Joaquim.


Perguntas sobre a Fazenda dos Castores.


Perguntas sobre a festa.


Perguntas sobre as tragédias.


Perguntas sobre o silêncio.


Mas talvez a pergunta mais importante não esteja relacionada ao passado.


Talvez esteja relacionada ao futuro.


Que legado será deixado para as próximas gerações?


Essa reflexão acompanhou Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor ao longo da construção desta obra.


Quanto mais conhecia a história de sua família, mais compreendia que existiam duas formas de olhar para ela.


A primeira seria concentrar-se apenas nas feridas.


Nas divisões.


Nas perdas.


Nos conflitos.


Nas tragédias.


A segunda seria reconhecer essas dores sem permitir que elas definissem toda a narrativa.


Porque a história dos Castores não começou com tragédias.


Começou com fé.


Começou com trabalho.


Começou com acolhimento.


Começou com pessoas que abriram suas portas para quem precisava.


Começou com homens e mulheres que acreditavam que a terra deveria servir para alimentar famílias e fortalecer comunidades.


Começou com a disposição de compartilhar.


E talvez seja justamente aí que se encontra a verdadeira herança deixada por Francisco Soares Castor.


Ao longo dos anos, muitas pessoas associaram a história dos Castores à imagem encontrada na fazenda.


Outras associaram a história à festa.


Outras lembraram das terras.


Outras recordaram os conflitos.


Mas, olhando para toda a trajetória da família, torna-se difícil ignorar uma realidade.


O maior legado de Francisco talvez nunca tenha sido uma imagem.


Talvez nunca tenha sido uma propriedade.


Talvez nunca tenha sido uma celebração.


Talvez tenha sido a capacidade de reunir pessoas.


A capacidade de acolher.


A capacidade de servir.


A capacidade de colocar a fé em prática.


Essa compreensão levou Bruno a refletir também sobre o verdadeiro significado de São Bom Jesus dos Castores.


Ao longo das gerações, diferentes pessoas enxergaram aquele lugar de maneiras diferentes.


Mas, para ele, o valor mais profundo daquela história não está na madeira de uma imagem.


Está naquilo que ela representou.


Um chamado para voltar os olhos para Deus.


Um chamado para recordar a importância da fé.


Um chamado para lembrar que nenhuma tradição possui valor se estiver distante da Palavra de Deus.


Por isso, ao refletir sobre sua própria família, Bruno passou a desejar algo simples.


Desejava que os Castores voltassem a se aproximar de Jesus.


Não necessariamente através de tradições.


Não necessariamente através de costumes.


Mas através da fé sincera.


A mesma fé que inspirou gerações anteriores.


A mesma fé que sustentou homens e mulheres durante tempos difíceis.


A mesma fé que continua capaz de unir aquilo que parece separado.


Talvez esse seja o maior significado da reconciliação.


Não apagar o passado.


Mas aprender com ele.


Não esquecer os erros.


Mas impedir que eles continuem produzindo divisão.


Não negar as feridas.


Mas permitir que elas sejam transformadas em sabedoria.


Ao olhar para a história dos Castores, Bruno compreendeu que a reconciliação não depende apenas de uma família.


Depende de cada pessoa que decide honrar seus antepassados sem repetir seus erros.


Depende de cada geração que escolhe preservar a memória sem permanecer presa a ela.


Depende de cada homem e de cada mulher que decide construir pontes onde antes existiam muros.


E talvez seja exatamente isso que esta obra procura fazer.


Construir uma ponte.


Uma ponte entre passado e futuro.


Uma ponte entre memória e esperança.


Uma ponte entre aqueles que vieram antes e aqueles que ainda virão.


Porque a história da família Castor não termina aqui.


Ela continua.


Continua nos filhos.


Nos netos.


Nos bisnetos.


Nos descendentes que ainda nascerão.


Continua em cada pessoa que decidir conhecer suas raízes.


Continua em cada família que compreender a importância da memória.


Continua em cada leitor que encontrar nestas páginas algo que o faça refletir sobre sua própria história.


Afinal, nenhuma família é definida apenas por suas quedas.


Nenhuma família é definida apenas por suas vitórias.


As famílias são definidas pela forma como escolhem seguir adiante.


E, depois de tantas gerações, talvez tenha chegado o momento de os Castores olharem novamente para sua história não com vergonha.


Não com medo.


Não com silêncio.


Mas com gratidão.


Gratidão pelos que vieram antes.


Gratidão pelos que preservaram a memória.


Gratidão pelos que mantiveram viva a fé.


E gratidão pela oportunidade de continuar escrevendo os próximos capítulos de uma história que ainda não terminou.


Porque enquanto houver alguém disposto a lembrar, a ensinar e a transmitir adiante aquilo que recebeu, a história dos Castores continuará viva.


E continuará apontando para aquilo que sempre esteve no centro de tudo.


Não uma festa.


Não uma fazenda.


Não uma imagem.


Mas Deus.


O mesmo Deus que acompanhou Francisco Soares Castor.


O mesmo Deus que acompanhou Joaquim.


O mesmo Deus que acompanhou Antônio.


O mesmo Deus que acompanhou Jane.


O mesmo Deus que acompanhou Oswaldo.


E o mesmo Deus que continua acompanhando cada geração da família Castor.



Capítulo 26



A voz que permaneceu



Toda história precisa de alguém que a conte.


Toda memória precisa de alguém que a preserve.


Toda família precisa de alguém disposto a fazer perguntas quando todos os outros preferem permanecer em silêncio.


Ao longo desta obra, muitos nomes foram mencionados.


Homens e mulheres que construíram suas vidas.


Que trabalharam.


Que sofreram.


Que sonharam.


Que ajudaram a formar aquilo que hoje conhecemos como a história da família Castor.


Mas existe uma pessoa sem a qual grande parte destas páginas jamais teria sido escrita.


Jane Novaes dos Santos Soares Castor.


Foi através dela que muitas das memórias preservadas nesta obra conseguiram atravessar as décadas.


Enquanto outras pessoas aceitavam o silêncio, ela fazia perguntas.


Enquanto muitos consideravam determinados assuntos encerrados, ela continuava procurando respostas.


Enquanto histórias antigas corriam o risco de desaparecer, ela dedicava tempo para ouvi-las.


Jane não nasceu na família Castor.


Mas tornou-se parte dela.


E talvez justamente por olhar para aquela história com a curiosidade de quem vinha de fora, conseguiu perceber a importância daquilo que muitos já não enxergavam.


Ela conversou com familiares.


Ouviu relatos.


Guardou nomes.


Registrou lembranças.


Buscou compreender acontecimentos que haviam marcado gerações.


Foi ela quem ouviu muitas das histórias contadas por Antônio Soares Castor.


Foi ela quem preservou memórias transmitidas por Ana Rodrigues Porto Soares Castor.


Foi ela quem compreendeu o valor dos relatos compartilhados por Salim José Cury.


E foi ela quem transmitiu tudo isso ao seu filho.


Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor.


Ao longo dos anos, Jane tornou-se uma verdadeira guardiã da memória familiar.


Não porque possuísse todos os documentos.


Não porque tivesse todas as respostas.


Mas porque compreendeu algo fundamental.


Uma história esquecida é uma história que corre o risco de desaparecer para sempre.


Por essa razão, ela insistiu.


Perguntou.


Escutou.


Aprendeu.


E guardou.


Graças a essa dedicação, nomes que poderiam ter sido esquecidos continuam sendo lembrados.


Histórias que poderiam ter desaparecido continuam sendo contadas.


Memórias que poderiam ter se perder no tempo chegaram até uma nova geração.


Mas Jane não foi a única guardiã dessa memória.


Ao lado dela existiram outras pessoas que ajudaram a preservar fragmentos importantes da história dos Castores.


Antônio Soares Castor.


Que transmitiu lembranças herdadas de seu pai e de seus irmãos.


Ana Rodrigues Porto Soares Castor.


Que compartilhou detalhes que de outra forma jamais teriam chegado aos descendentes.


Salim José Cury.


Que preservou acontecimentos relacionados à família e aos tempos vividos em Palestina.


Cada um deles tornou-se uma ponte entre o passado e o presente.


Cada um deles ajudou a impedir que a memória desaparecesse.


Porque a verdade é que a história da família Castor não sobreviveu graças a documentos.


Ela sobreviveu graças às pessoas.


Sobreviveu porque alguém continuou contando.


Sobreviveu porque alguém continuou ouvindo.


Sobreviveu porque alguém continuou lembrando.


E talvez essa seja uma das maiores lições deixadas por esta obra.


As famílias não são feitas apenas de sobrenomes.


Não são feitas apenas de propriedades.


Não são feitas apenas de datas.


As famílias são feitas de memórias.


E as memórias sobrevivem através das pessoas que escolhem preservá-las.


Ao olhar para tudo aquilo que foi registrado nestas páginas, torna-se impossível não reconhecer a importância daqueles que mantiveram viva essa chama.


Uma chama pequena.


Por vezes frágil.


Mas suficientemente forte para atravessar gerações.


E graças a essa chama, a história da família Castor continua viva.


Não apenas como lembrança.


Mas como herança.


Uma herança que agora pode ser transmitida às próximas gerações.


Uma herança que chegou até o presente através da voz daqueles que se recusaram a esquecer.


E entre todas essas vozes, uma permaneceu firme durante décadas.


A voz de Jane Novaes dos Santos Soares Castor.


A voz que fez perguntas.


A voz que procurou respostas.


A voz que ajudou a impedir que a história dos Castores desaparecesse no silêncio do tempo.



27 -Epílogo


A história continua


Se você chegou até estas últimas páginas, então caminhou comigo por uma longa jornada.


Uma jornada que começou muito antes do meu nascimento.


Muito antes do nascimento do meu pai.


Muito antes do nascimento do meu avô.


Uma jornada que atravessou gerações.


Quando comecei a reunir estas histórias, meu objetivo era simples.


Eu não queria que a memória da minha família desaparecesse.


Durante muitos anos ouvi fragmentos de relatos.


Pequenos pedaços de histórias.


Lembranças contadas aqui e ali.


Nomes mencionados em conversas de família.


Perguntas que pareciam nunca receber respostas.


E quanto mais eu ouvia, mais percebia que existia uma história muito maior escondida por trás daqueles fragmentos.


Uma história que merecia ser preservada.


Esta obra não foi escrita para provar que todos os acontecimentos ocorreram exatamente da forma como foram contados.


Também não foi escrita para transformar tradições familiares em verdades absolutas.

Pelo contrário.


Ela foi escrita para registrar aquilo que chegou até nós.


Para preservar a memória daqueles que vieram antes.


Para impedir que suas histórias fossem esquecidas.


Ao longo destas páginas encontrei homens e mulheres extraordinários.


Encontrei Francisco Soares Castor, cuja hospitalidade ajudou a transformar uma fazenda em um lugar de acolhimento.


Encontrei Joaquim Soares Castor, cercado por perguntas que talvez jamais sejam completamente respondidas.


Encontrei Antônio Soares Castor, Ana Rodrigues Porto Soares Castor, Salim José Cury e tantas outras pessoas que ajudaram a construir esta narrativa.


Mas acima de tudo encontrei algo que não esperava encontrar.


Encontrei a importância da memória.


Percebi que uma família pode perder terras.


Pode perder propriedades.


Pode perder documentos.


Pode perder muitas coisas ao longo do tempo.


Mas quando perde sua memória, perde também uma parte de sua identidade.


Foi por isso que decidi escrever.


Porque acredito que conhecer nossas raízes nos ajuda a compreender quem somos.


E talvez nos ajude também a compreender para onde devemos seguir.


Ao olhar para a história dos Castores, não vejo apenas momentos de alegria.


Também vejo sofrimento.


Também vejo erros.


Também vejo tragédias.


Mas não acredito que uma família deva ser definida apenas por suas dores.


Prefiro olhar para aquilo que ela é capaz de construir.


Prefiro olhar para aquilo que ela é capaz de transmitir.


Prefiro olhar para aquilo que ela é capaz de restaurar.


Ao final desta jornada, uma convicção permanece em meu coração.


Acredito que a maior herança deixada por Francisco Soares Castor não foram terras.


Não foi uma festa.


Não foi uma imagem.


Foi a fé.


Foi a hospitalidade.


Foi a disposição de acolher pessoas.


Foi a compreensão de que a vida possui mais valor quando é compartilhada.


E é justamente essa herança que desejo ver preservada.


Meu desejo é que os Castores continuem lembrando de sua história.


Que os descendentes conheçam suas origens.


Que as futuras gerações saibam de onde vieram.


Mas acima de tudo, desejo que todos nós nos aproximemos cada vez mais de Deus.


Ao longo desta obra falei sobre a imagem encontrada por Francisco.


Falei sobre a devoção.


Falei sobre a Festa dos Castores.


Mas quero deixar algo muito claro.


Minha fé não está em uma imagem.


Minha fé está em Jesus Cristo.


Creio que Jesus é o Filho de Deus.


Creio que Deus o ressuscitou dentre os mortos.


Creio que sua Palavra continua viva.


E creio que é nela que devemos colocar nossa esperança.


Se existe uma mensagem que desejo transmitir através deste história, é esta:

Que as tradições podem ser importantes.


Que a memória é valiosa.


Que a história merece ser preservada.


Mas que nada disso deve ocupar o lugar que pertence a Deus.


Por isso, se algum legado deve permanecer após a leitura destas páginas, que seja o amor à verdade, o amor à memória e o amor à Palavra de Deus.


Talvez algumas perguntas nunca sejam respondidas.


Talvez alguns mistérios permaneçam.


Talvez certos acontecimentos jamais possam ser reconstruídos completamente.


Mas isso não diminui o valor desta história.


Porque a história da família Castor não está encerrada.


Ela continua.


Continua em cada filho.


Continua em cada neto.


Continua em cada descendente.


Continua em cada pessoa que decidir preservar aquilo que recebeu das gerações anteriores.


E continua também em mim.


Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor.


Filho de Oswaldo Soares Castor.


Neto de Antônio Soares Castor.


Bisneto de Joaquim Soares Castor.


Trineto de Francisco Soares Castor.


Um descendente que decidiu registrar estas memórias para que elas não fossem esquecidas.


E enquanto houver alguém disposto a lembrar, a ensinar e a transmitir adiante aquilo que recebeu, a história da família Castor continuará viva.


Porque esta não é apenas uma história sobre o passado.


É uma história sobre aquilo que escolhemos levar para o futuro.





Um sonho para o futuro


Ao longo da construção desta obra, compreendi também que alguns dos sofrimentos que marcaram a história da família Castor não pertencem apenas ao passado.


Eles continuam presentes na realidade de muitas famílias.


Entre esses sofrimentos, o alcoolismo ocupa um lugar especial em minha memória.


Meu avô, Antônio Soares Castor, enfrentou essa luta.


Meu pai, Oswaldo Soares Castor, também enfrentou essa luta.


Durante muitos anos vi de perto as consequências que o álcool pode causar na vida de uma pessoa, de uma família e de toda uma geração.


Em determinado momento da vida, tive a oportunidade de ajudar meu pai a buscar tratamento.


Ele foi internado em uma clínica de recuperação.


Permaneceu um período sem beber.


E mesmo que sua caminhada tenha sido marcada por recaídas e dificuldades, essa experiência deixou em mim uma profunda convicção.


Pessoas precisam de ajuda.


Pessoas precisam de acolhimento.


Pessoas precisam de uma oportunidade para recomeçar.


Talvez por isso exista em meu coração o desejo de que um dia possa nascer, na região dos Castores, um lugar dedicado à recuperação de vidas.


Não apenas um centro de tratamento.


Mas um lugar de esperança.


Um lugar onde pessoas marcadas pelo álcool, pelas drogas e por outros vícios possam encontrar apoio, cuidado, orientação e fé.


Um lugar onde famílias possam ser restauradas.


Um lugar onde a dor possa dar espaço à reconstrução.


Quando penso nesse sonho, não o vejo apenas como um projeto pessoal.


Vejo-o como uma forma de transformar sofrimento em serviço.


Uma forma de fazer com que as dores vividas por gerações anteriores produzam algo bom para as gerações futuras.


Talvez seja essa a melhor maneira de honrar aqueles que vieram antes de nós.


Não apenas recordando suas histórias.


Mas usando essas histórias para ajudar outras pessoas.

APÊNDICE

Genealogia da Família Castor


Francisco Soares Castor

  • Nascimento: 1845

  • Falecimento: 1925

  • Proprietário da Fazenda dos Castores.

  • Figura central da tradição relacionada a São Bom Jesus dos Castores.



Filho conhecido:

Joaquim Soares Castor

  • Nascimento: 1876

  • Falecimento: 1952

  • Nascido na Fazenda dos Castores.

Filhos conhecidos:

  • Maria Rosa Ponciano do Nascimento

  • Ana Soares Castor

  • Mariana Emidia Florindo

  • Virgínia Soares Castor

  • João Soares Castor

  • Francisco Soares Castor

  • Cesário Soares Castor

  • Manoel Soares Castor

  • Jeronyma Rosa do Carmo

  • José Ignacia Castor

  • Eudócia Soares Castor

  • Antônio Soares Castor


Antônio Soares Castor

Filho de Joaquim Soares Castor.

Casado com:

Ana Rodrigues Porto Soares Castor

Filhos conhecidos:

  • Maria Helena Soares Castor

  • Oswaldo Soares Castor

  • Gervásio Soares Castor

  • Odete Soares Castor

  • Geovacir Soares Castor

  • Ana Sulamita Soares Castor

  • Carlos Soares Castor

  • Marcos Soares Castor

  • Rosana Soares Castor


Oswaldo Soares Castor

Filho de Antônio Soares Castor e Ana Rodrigues Porto Soares Castor.

Casado com:

Jane Novaes dos Santos Soares Castor

Filhos:

  • Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor

  • Felipe Gabriel Novaes dos Santos Soares Castor

  • Ana Gláucia Novaes dos Santos Soares Castor


Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor

Filho de Oswaldo Soares Castor e Jane Novaes dos Santos Soares Castor.

Autor desta obra e responsável pela organização e preservação da presente narrativa histórica da família Castor.




Apoie a Preservação desta História


Se você chegou até aqui, agradeço profundamente por ter dedicado seu tempo à leitura desta obra.


A História da Família Castor e de São Bom Jesus dos Castores nasceu do desejo de preservar uma memória que atravessou gerações.


Muitas das informações aqui registradas foram preservadas através da tradição oral, de pesquisas familiares, de conversas com parentes e de anos de dedicação na busca por compreender as origens desta história.


Meu objetivo é continuar divulgando este conteúdo para que cada vez mais pessoas conheçam essa importante parte da história do interior paulista e da tradição ligada a São Bom Jesus dos Castores.


Atualmente, parte desse trabalho é divulgada através da internet, incluindo investimentos em divulgação para alcançar novas pessoas e manter viva essa memória.


Se esta obra tocou seu coração, contribuiu para seu conhecimento ou ajudou você a conhecer melhor essa história, e você desejar colaborar voluntariamente com a continuidade deste projeto, sua ajuda será muito bem-vinda.


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Toda contribuição é voluntária e será recebida com gratidão.


Mais importante do que qualquer contribuição financeira é ajudar a preservar esta história, compartilhando este conteúdo com outras pessoas, familiares, amigos e todos aqueles que valorizam a memória, a fé e a cultura de nossa região.



Muito obrigado.

Bruno Rafael Novaes dos Santos Soares Castor

Autor da obra História da Família Castor e São Bom Jesus dos Castores Contato 17 991851021

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